Saúde 7 min 25 de agosto de 2026

Bethesda 3 e 4 tireoide: o que fazer com o resultado

Recebeu laudo de Bethesda III ou IV na tireoide? Entenda o significado do resultado indeterminado e saiba quais são as opções de avaliação em Recife.

Dr. Adilis da FonteArtigo clínico
Análise clínica
7 min de leitura

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter puramente informativo e educacional. Ele não substitui uma consulta médica individualizada nem serve como autodiagnóstico.

Ao realizar um exame de imagem na região do pescoço, o achado de um nódulo na tireoide é uma ocorrência comum. Quando indicado, o passo seguinte para investigar a natureza desse nódulo costuma ser a Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF). No entanto, o laudo nem sempre traz uma resposta definitiva entre "benigno" ou "maligno".

Em uma parcela significativa dos exames, o resultado se enquadra nas categorias Bethesda III ou Bethesda IV. Diante de um laudo com a descrição de Bethesda 3 e 4 tireoide, o que fazer torna-se a principal dúvida do paciente e da família.

Essas categorias representam os chamados resultados indeterminados. Isso significa que as células coletadas apresentam características fora do padrão normal, mas não possuem atipias suficientes para confirmar um câncer de tireoide nem para descartá-lo completamente.

O que significa a classificação de Bethesda na tireoide

O Sistema Bethesda para Relato de Citopatologia Tireoidiana foi criado para padronizar a linguagem dos laudos de PAAF no mundo inteiro. Ele organiza os resultados em seis categorias numéricas, cada uma associada a um risco estimado de malignidade e a uma recomendação condutiva padrão.

A classificação permite que endocrinologistas, ultrassonografistas e cirurgiões de cabeça e pescoço compartilhem os mesmos critérios clínicos na avaliação dos nódulos.

As categorias I e II representam, respectivamente, exames insatisfatórios e benignos. As categorias V e VI correspondem a nódulos suspeitos de malignidade e nitidamente malignos. No centro dessa escala, encontram-se as categorias III e IV, que exigem uma reflexão mais aprofundada.

Ao entender como o sistema funciona, fica mais claro por que um resultado indeterminado não deve ser motivo de pânico imediato, mas sim de um planejamento investigativo estruturado.

Bethesda III e Bethesda IV: entendendo a indeterminação

Apesar de ambas se enquadrarem no grupo dos resultados indeterminados, as categorias III e IV possuem diferenças histológicas e estimativas de risco distintas que orientam a decisão clínica.

A categoria Bethesda III é denominada Atipia de Significado Indeterminado (AUS) ou Lesão Folicular de Significado Indeterminado (FLUS). Nela, as células apresentam alterações estruturais ou nucleares pontuais, mas que podem ser decorrentes de processos inflamatórios, artefatos de fixação ou variações benignas.

Já a categoria Bethesda IV refere-se à Neoplasia Folicular ou Suspeito de Neoplasia Folicular. Neste grupo, o patologista observa uma proliferação celular com arranjo microfolicular muito denso. A grande questão é que a PAAF retira apenas células isoladas e não consegue avaliar a arquitetura do nódulo nem a sua cápsula.

O resultado indeterminado não é um diagnóstico definitivo de câncer, mas um indicativo de que a investigação precisa de dados complementares.

Para definir se uma neoplasia folicular é um adenoma (benigno) ou um carcinoma folicular (maligno), é indispensável analisar se há invasão da cápsula do nódulo ou dos vasos sanguíneos. Essa verificação só é possível por meio do exame anatomopatológico completo, feito após a remoção cirúrgica do nódulo.

CaracterísticaBethesda III (AUS / FLUS)Bethesda IV (Neoplasia Folicular)
Nome do laudoAtipia de significado indeterminadoNeoplasia folicular ou suspeita
Risco de malignidadeAproximadamente 10% a 30%Aproximadamente 25% a 40%
Padrão celularAlterações celulares isoladas ou focaisArranjo microfolicular denso e homogêneo
Conduta inicial frequenteRepetir PAAF, teste molecular ou observarTeste molecular ou cirurgia diagnóstica

Bethesda 3 e 4 tireoide: o que fazer após receber o laudo

Quando o paciente se depara com a busca por bethesda 3 e 4 tireoide o que fazer, o ponto fundamental é compreender que não existe uma resposta única aplicável a todos os casos. A definição do caminho a seguir depende da integração de múltiplos dados clínicos.

Na prática médica especializada, a abordagem segue etapas claras para garantir que nenhuma intervenção desnecessária seja realizada, ao mesmo tempo em que lesões potencialmente agressivas não sejam negligenciadas.

Como funciona na prática

  1. Revisão detalhada do laudo de PAAF e cruzamento com as imagens da ultrassonografia.
  2. Análise do histórico do paciente, histórico familiar e fatores de risco individuais.
  3. Discussão das opções disponíveis: repetição da PAAF, painel genético molecular ou cirurgia.
  4. Definição conjunta do plano terapêutico e do cronograma de acompanhamento.

Após o laudo indeterminado, as opções principais contemplam a repetição da biópsia, a realização de exames genéticos complementares ou o direcionamento para o procedimento cirúrgico.

A repetição da PAAF é especialmente indicada nos casos de Bethesda III. Em uma segunda amostragem, um percentual significativo dos nódulos pode ser reclassificado como benigno (Bethesda II) ou fornecer uma amostra mais conclusiva para o médico.

Fatores que influenciam a decisão clínica

A decisão sobre operar ou manter o nódulo sob vigilância depende de um conjunto de critérios que vão além do texto impresso no laudo do patologista.

O primeiro fator é o aspecto ultrassonográfico do nódulo. A classificação de risco pelo sistema TI-RADS avalia características como hipoecogenicidade, margens irregulares, presença de microcalcificações e formato mais alto do que largo. Um nódulo Bethesda III com ultrassom de baixo risco tem um manejo diferente de um nódulo com marcadores de suspeição na imagem.

A análise isolada do laudo da biópsia é insuficiente; a decisão clínica exige a correlação exata entre o resultado de Bethesda e a imagem da ultrassonografia.

O tamanho e o crescimento do nódulo também são determinantes. Nódulos volumosos, mesmo com diagnóstico indeterminado, podem causar sintomas compressivos no pescoço, como dificuldade para engolir (disfagia), sensação de aperto ou alteração na voz.

Outro ponto relevante é o histórico do paciente. Antecedentes de exposição à radiação ionizante na infância ou juventude e histórico familiar de câncer medular ou papilífero de tireoide em parentes de primeiro grau elevam a suspeita clínica e podem favorecer a indicação cirúrgica.

Os testes moleculares surgiram como uma ferramenta auxiliar importante. Esses exames analisam mutações genéticas (como BRAF, RAS, RET/PTC) no material coletado na PAAF. A presença ou ausência de mutações específicas ajuda a restratificar o risco de malignidade, auxiliando na escolha entre vigilância ou cirurgia.

Quando a cirurgia da tireoide é indicada

A indicação cirúrgica para nódulos com resultado Bethesda III ou IV ocorre quando o conjunto de fatores indica um risco elevado de câncer ou quando o volume da lesão gera desconforto físico ao paciente.

Nos casos em que a opção é pela cirurgia diagnóstica, a extensão da remoção deve ser cuidadosamente planejada. A conduta mais comum em nódulos indeterminados uniloculares e sem outras suspeitas é a lobectomia tireoidiana (remoção de apenas um lado da glândula, preservando o outro lado e o istmo).

A vantagem da lobectomia é a preservação parcial da função hormonal da tireoide na maioria dos pacientes, além de reduzir o risco de complicações associadas à remoção total, como a rouquidão permanente ou a diminuição definitiva do cálcio no sangue.

Caso o exame anatomopatológico pós-operatório confirme a presença de um câncer com características agressivas, uma segunda cirurgia para complementação da tireoidectomia pode ser discutida. Se o laudo anatômico confirmar que a lesão era benigna, o tratamento do nódulo é considerado concluído.

Por outro lado, a tireoidectomia total pode ser a escolha primária se o paciente já possuir nódulos suspeitos no outro lobo da tireoide, histórico familiar importante de câncer de tireoide ou se optar voluntariamente por evitar uma eventual segunda intervenção.

Perguntas frequentes

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP). Recomendações para o manejo de nódulos de tireoide e câncer diferenciado de tireoide. Disponível em: https://www.sbccp.org.br
  2. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Ações de prevenção e controle do câncer de tireoide. Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/inca
  3. American Thyroid Association (ATA). Management Guidelines for Adult Patients with Thyroid Nodules and Differentiated Thyroid Cancer. Thyroid, 2016.

Se você recebeu um resultado de PAAF apontando Bethesda III ou IV e precisa de uma avaliação especializada para compreender o laudo e definir os próximos passos com clareza, agende uma consulta com o Dr. Adilis da Fonte.

O Dr. Adilis da Fonte é cirurgião de cabeça e pescoço em Recife (PE), com formação e residência médica no Instituto Nacional de Câncer (INCA) e atuação em instituições como o IMIP e a Rede D'Or. Possui CRM 12141-PE e RQE 69, atendendo no Centro Médico do Hospital Memorial São José (Rua das Fronteiras, 127, Graças, Recife - PE).

Fale com a equipe

Ficou com dúvida sobre o seu caso?

Deixe seu contato — a equipe do Dr. Adilis retorna para orientar e agendar a avaliação.

Seus dados são usados apenas para retorno do atendimento.

Compartilhar

Fim da análise